O ensino da letra cursiva está presente em muitas discussões atuais sobre o processo de alfabetização, em dois lados opostos, sendo eles divididos por: pesquisadores e professores contra esse ensino nas escolas; professores e pesquisadores a favor do ensino deste formato de letra. Neste texto, buscaremos apresentar de forma clara e objetiva pontos que sugerem a reflexão desta prática, levando em consideração que, segundo o documento norteador vigente neste momento (2022) a Base Nacional Comum curricular, a forma de escrita cursiva deve estar presente nas instituições escolares ainda no 1º ano do Ensino Fundamental.
Neurocientistas afirmam que a escrita com letra cursiva exige mais esforço entre a integração das áreas simbólicas e motoras do cérebro, por isso, estimula o cérebro de uma forma que a digitação ou letra bastão não conseguem, proporcionando assim, o desenvolvimento dos hemisférios direito e esquerdo, fluência na leitura com mais eficiência, aprimoramento da atenção, memória do trabalho e muito mais.
Para Magda Soares, grande pesquisadora e estudiosa na área, quando a criança está descobrindo, reconhecendo e associando sua escrita aos respectivos fonemas o ideal é que se apresente as letras na sua individualidade, o que não acontece na escrita cursiva, em que as letras aparecem emendadas. O uso da letra imprensa, possui um traço mais fácil de ser feito no momento em que a criança está aprendendo a grafia e desenvolvendo as habilidades motoras, por isso, costuma ser a primeira forma de escrita apresentada para as crianças e difundida nas escolas.
No entanto, a autora Esther Pillar Grossi (1990), defende o pensamento que as duas formas de escrita devem estar presente na vida cotidiana dos alunos desde o início do processo de alfabetização, pois a letra cursiva irá auxiliar a criança na identificação da palavra como um todo. Ela ainda exemplifica que “o uso simultâneo dos dois tipos concretiza o fato de que os símbolos podem ser múltiplos, enquanto aquilo que é simbolizado é sempre único” (GROSSI, 1990, p.172).
As perspectivas e pensamento em torno do uso desta escrita são muitas, mas devemos levar em consideração o que é orientado e estabelecido pelos documentos oficiais que regem a educação brasileira, sendo assim a Base Nacional Comum curricular – BNCC.
Segundo a BNCC, durante o processo de alfabetização o aluno precisa “consiga “codificar e decodificar” os sons da língua (fonemas) em material gráfico (grafemas ou letras), o que envolve o desenvolvimento de uma consciência fonológica (dos fonemas do português do Brasil e de sua organização em segmentos sonoros maiores como sílabas e palavras) e o conhecimento do alfabeto do português do Brasil em seus vários formatos (letra imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas), além do estabelecimento de relações grafofônicas entre esses dois sistemas de materialização da língua” (BRASIL, 2017, p.89-90).
Os objetivos de aprendizagem podem ser visualizados no 1º ano com o código
EF01LP11, “conhecer, diferenciar e relacionar letras em formato imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas” e o código EF02LP07 para o 2º ano “escrever palavras, frases, textos curtos nas formas imprensa e cursiva” (BRASIL, 2017, p. 101).
Você pode realizar atividades como as ilustradas no vídeo do Canal do YouTube Taise Agostini, confira!
Nas escolas, a maior dificuldade apresentada pelos alunos pode estar relacionada com o traçado e a coordenação motora fina exigida por esta forma de escrita. Por isso, antes de exigir que a criança escreva de forma cursiva deve-se realizar atividades que reforcem esse movimento, ainda na Educação Infantil, como por exemplo:
- Movimento da pinça;
- Alinhavar;
- Escrever e desenhar em suportes como isopor e papelão;
- Desenhar círculos e traços livres;
- Desenhar de forma contínua, sem soltar o lápis do papel;
E muitas outras atividades essenciais para o desenvolvimento desta habilidade!
Lembre-se que, apesar do ensino da letra cursiva se tornar obrigatório com a BNCC, é importante que você não exija do seu aluno ou filho mais do que a maturidade cognitiva, física e emocional possa permitir, isso poderá acarretar frustação, traumas e dificultar o processo de alfabetização e aprendizagem da letra cursiva. Outro fato que devemos ressaltar é que o ensino de qualquer tipo de letra nas atividades deve ter uma intencionalidade pedagógica, não se apegue a estética, mas sim, ao aprendizado da escrita e da leitura de forma eficaz e significativa.
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REERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum curricular. Ministério da Educação – MEC. 2017. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em agosto de 2022.
GROSSI, Esther Pillar. Didática no nível silábico. 1. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.